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    4ª. Sonderbund

    De 25 de maio a 30 de setembro de 1912, na cidade de Colônia, Alemanha, foi montada a última grande exposição retrospectiva de Arte Moderna, organizada por particulares e apresentada ao público de maneira ordenada e didática. Reunia obras de artistas modernos europeus, principalmente franceses e alemães, como Van Gogh, Cézanne, Gauguin, Matisse, Picasso, Braque e Mondrian, entre outros.

A

    Abstracionismo

    Arte que não imita ou representa diretamente a realidade, baseando-se na convicção de que a forma tem seu valor intrínseco.

    Acrílica, Pintura

    Aquela que emprega pigmentos sintéticos obtidos a partir do àcido acrílico. São pinturas de uso industrial que permitem acabamentos de extrema lisura e grande resistência, ao mesmo tempo que oferecem cores brilhantes e luminosas. É também grande a sua inalterabilidade com o passar do tempo.

    Muitas delas empregam água como dissolvente. Seu uso em obras de arte é um fenômeno relativamente recente, propiciado não só por suas qualidades intrínsecas, como também e principalmente pelas tendências artísticas da pop art.

    Arrependimento
    Dá-se este nome às mudanças introduzidas pelo pintor na composição de sua obra, que se advertem ao estudar o processo de sua realização. Em alguns casos, o passar do tempo fez com que se manifestassem espontaneamente essas correções invisíveis dos elementos corrigidos quando o artista considerou acabada sua obra, mas apreciáveis depois. Em outros, essas correções foram apreciadas ao se restaurar uma determinada obra. E, modernamente, existem técnicas que permitem realizar o exame de uma obra em suas diferentes camadas, sem de modo algum alterar sua estrutura.
    Armory Show
    Nome dado ao evento que, oficialmente chamou-se Exposição Internacional de Arte Moderna, ocorrido de 17 de fevereiro a 15 de março de 1913, na cidade de Nova York, nos EUA. Contou com o apoio da Associação de Pintores e Escultores Norte-americanos, fundada por Robert Henri. Pela primeira vez o público norte-americano teve contato com a Arte Moderna.
    Aquarela
    Técnica pictórica que emprega corantes dissolvidos na água, transparentes, cuja luminosidade é dada pelo branco da superfície do suporte, habitualmente papel, mas também cartão ou madeira. A assim definida é a denominada aquarela transparente ou a aquarela propriamente dita. Se as cores são opacas - nesse caso requer também o branco como cor, devemos falar mais precisamente de aguada ou guache (v.). Existem técnicas mistas que conseguem resultados excelentes. A técnica de aquarela exige rapidez, segurança e expontaneidade por parte do artista, dado que não é suscetível de arrependimentos (v.) ou correções.
    Apontamento
    Desenho de apontamentos para a composição de um quadro. Também, em muitas ocasiões, desenho feito rapidamente do natural, onde se perfilarão posteriormente os detalhes.
    Anamórfica
    Imagem ou figura que é representada distorcida para que, ao ser contemplada desde determinado ângulo ou ponto de vista, resulte correta em suas proporções. Corrige assim os inevitáveis achatamentos das pinturas situadas a grande altura numa parede ou as deformações realizadas em superfícies curvas, como abóbadas.
    Análogas, Cores
    A mistura gradativa entre as cores do círculo cromático é um matiz gradativo, um “degradê” que forma uma escala entre duas cores. Essa variação também é conhecida como matiz e, quando é feita entre uma cor primária e uma secundária que sejam vizinhas no círculo cromático, forma uma escala de cores análogas. Analogia significa semelhança. As cores análogas são semelhantes em sua composição.
    Aguada
    Técnica pictórica que emprega cores diluídas apenas em água ou em água com certas substâncias como mel, goma, etc. Este termo também é aplicado à obra realizada com dita técnica. Modernamente o galicismo guache é utilizado para nomear a técnica da aguada.
    Aguaço
    Pintura feita com cores diluídas na água e aplicada sobre papel ou tela. Diferencia-se da aquarela pelo fato de que os brancos são colocados com o pincel.
    Aglutinante
    Substância empregada na pintura para dar coesão aos pigmentos, de forma que resulte factível sua aplicação sobre a superfície a ser pintada. Utiliza-se para este efeito substâncias tais como ceras, gomas, caseína, gema de ovo, azeites, etc.
    Aeropintura
    Técnica pictórica que se baseia na aplicação das cores projetando-as sobre as superfícies a serem pintadas através de um jato de ar comprimido. Esta técnica já foi empregada pelos artistas do Paleolítico nas pinturas rupestres, utilizando um tubo ou cânula por onde sopravam uma determinada quantidade de tinta. Modernamente é utilizado o aerógrafo ou pistola de ar comprimido.
    Aerografia

    O aerógrafo, para quem não conhece, é aquela "caneta" que aplica tintas líquidas (na forma de spray), utilizando ar comprimido. Ele foi criado, destacam alguns, pelos "homens das cavernas", quando mastigaram alguma planta colorida e sopraram o caldo por um tubo nas paredes da caverna, utilizando as mãos como stencil (molde vazado). Entretanto, os primeiros aerógrafos patenteados foram fabricados nos Estados Unidos, por volta de 1890.

    Foi desenvolvido inicialmente para retocar fotografias, cujo trabalho era difícil de ser executado com pincéis tradicionais. Daí, a criação de um "pincel de ar" (air brush, em inglês) para substitur os esfuminhos, algodões, entre outros, que tentavam reproduzir os meios tons e os degradês da imagem fotográfica.

    Você pode estar se perguntando: como pode alguma coisa inventada há mais de 100 anos não só continuar atual como também ser uma novidade para a grande maioria? A resposta tem relação com os equipamentos necessários. Quando se fala em compressor, quase sempre é o mesmo que falar em uma máquina pesada e em muito barulho, o que nos faz imaginar uma borracharia, por exemplo.

    No exterior, a situação é bem diferente. Compressores portáteis e silenciosos permitem que se pinte em público, em shopping centers, nos mais diversos tipos de eventos, aproveitando uma das principais e mais interessantes características desta técnica: a capacidade de atrair a atenção das pessoas, quase hipnotizando-as, quer pelos belos efeitos obtidos com muito mais facilidade e rapidez que os pincéis tradicionais, quer pelo fato da tinta secar quase que instantaneamente, permitindo personalizar os mais diversos tipos de peças ao vivo e na hora, criando o desejo em quem observa.

    É fácil notar o potencial desta situação: camisetas aerografadas na hora, personalização de bonecas de tecido, quadrinhos com nomes, pintura de paredes em quartos infantis, aerografia em objetos de madeira, em porcelana fria e sobre uma infinidade de outros materiais, já que outra das características mais interessantes da aerografia é permitir que o trabalho de pintura seja feito com a mesma rapidez e perfeição sobre os mais diferentes materiais – irregulares como uma toalha, lisos como madeira lixada, tridimensionais como uma escultura detalhada em biscuit, dentre outros.

    O fato de surgirem equipamentos nacionais muito mais silenciosos e portáteis, voltados especificamente para a aerografia artística, permitindo aos inúmeros artistas e artesãos brasileiros fazer de seu talento um negócio lucrativo e eficiente, tem modificado este quadro antigo, onde os jovens com habilidades de desenho ou pintura geralmente tinham que deixar de desenvolver suas melhores habilidades para se encaixar num emprego tradicional.

    Conheci a aerografia numa viagem aos Estados Unidos há vinte anos e nunca mais deixei de aerografar. Comecei com papel, depois passei para o tecido, madeira, metal, plástico, couro, pintei camisetas em feiras de artesanato, bonés e camisetas em eventos, fiz ilustrações, design de embalagens, design de sites e outros rabiscos. Mas o que eu mais gosto mesmo é de pintar ao vivo com meus aerógrafos.

    Existem diversas áreas a serem exploradas pelo aerógrafo, como parques temáticos, buffets, festas, convenções, feiras de negócios, lojas em shopping centers, lugares onde a capacidade de atrair a atenção é um trunfo poderoso, podendo gerar ótimos resultados para o artista e para quem o contrata.

    Todas as alegrias que a aerografia tem me proporcionado se ligam de forma estreita com as demonstrações e as apresentações ao vivo, com muitas pessoas ao redor.

    Estas são algumas dicas, as quais desejo que tragam a todos o mesmo retorno que tenho obtido.

B

    Bristol
    Determinada classe ou qualidade de papel de desenho.
    Bottega
    Palavra italiana que designa, referindo-se aos artistas dos séculos XIV ao XVII, o ateliê de um mestre com o conjunto de discípulos que nele o ajudavam.
    Boscagem
    Quadro do gênero que representa um lugar cheio de árvores e matagais, às vezes com algumas figuras de animais.
    Beato
    Nome genérico que se dá às cópias manuscritas e maneadas, realizadas durante a Idade Média dos “Comentários ao Apocalipse” escritos por Beato de Liebana no século VIII. As visões do texto sagrado supunham um grande desafio para a imaginação dos miniaturistas, razão pela qual não é de se estranhar que nestes códices se encontrem algumas das mais belas obras da pintura medieval.
    Batik
    Técnica pictórica e decorativa para papéis e tecidos que consiste na aplicação da cor em forma escalonada, utilizando cera para proteger aquelas zonas que devem recebê-la ou que já receberam o que lhes corresponde. Uma vez aplicadas todas as cores, a cera é derretida, com o que a decoração toma um característico aspecto de fendas. Esta técnica é originária da Indonésia, onde se emprega predominantemente para o estampado têxtil.
    Bateau-Lavoir
    Casa do bairro parisiense de Montmartre cujos locais foram utilizados, entre 1909 e 1914, como estúdios-vivenda por numerosos artistas, entre os quais se encontravam alguns dos mais destacados do momento. Os primeiros que ali se instalaram foram o holandês nacionalizado francês Kees Van Dongen (1877 – 1968) e Pablo Picasso (1881 – 1973), seguindo-lhes depois outros como Juan Gris, Braque, Modigliani, Matisse, etc.
    Bastidor
    Armação de ripas de madeira ou varetas metálicas onde se tende e se fixa a tela a ser pintada.
    Bambochata
    Quadro de gênero que representa cenas de bebedeira ou de festins grotescos.

C

    Cubismo
    c está interessado em representar e, em seguida, recria-o por meio de planos geométricos superpostos.
    Crisografia
    Pintura realizada com tinta de ouro (ou também de prata), normalmente sobre pergaminho e, com freqüência, tingindo-o de púrpura. Foi empregada pelos bizantinos nas miniaturas de livros.
    Craquelado
    Fendas de pintura que obedece tanto às tensões do suporte, como a técnicas defeituosas, como o emprego de aglutinantes inadequados, como a alterações do meio físico. Pode ser, no entanto, um efeito procurado pelo artista, embora raro em pintura e mais próprio da decoração cerâmica.
    Coudrage
    Palavra francesa que designa uma técnica pictórica baseada na incorporação ao quadro de elementos cosidos à tela.
    Costumista
    Diz-se daquela pintura e, geralmente, daquela arte que presta especial atenção à representação dos tipos e costumes peculiares de um país ou região, quer seja no tema ou nos aspectos de detalhe.
    Cores quentes
    As cores quentes tendem para o amarelo, e suas matizes com os alaranjados e avermelhados. As cores quentes estimulam a circulação do observador, causando um ligeiro aumento na temperatura do corpo. o amarelo é uma cor alegre, é a cor do verão; o vermelho é o sangue, é vida.
    Cores frias
    As cores frias tendem para o azul, e as matizes entre o verde, azul e violeta. Ao contrário das cores quentes, diminuem a circulação do observador, causando uma ligeira queda na temperatura do corpo. O azul é a calma, a harmonia, a paz, mas também a tristeza e melancolia.
    Composição
    Na pintura, distribuição dos diferentes elementos do quadro, com a finalidade de conseguir o efeito que se pretende. Costuma-se referir, principalmente aos ritmos lineares do desenho, à distribuição de formas e massas e aos efeitos de luzes e sombras. Embora muitos dos grandes artistas chegaram a elas de maneira intuitiva, o certo é que a composição de um quadro se rege pelas normas bem definidas e desde antigamente estudadas pelos tratadistas. Todos os elementos que citamos anteriormente são expressivos por si sós, com independência do termo pictórico a que se destinem. Os ritmos lineares, por exemplo, podem criar no quadro tensões, movimento, serenidade; podem enfocar a atenção do espectador sobre os detalhes essenciais da obra, ou bem, ao contrário, dispensá-la. As linhas ascendentes sugerem sentimentos de gozo, enquanto que as descendentes podem expressar tristeza ou desânimo, etc. Outro tanto pode ser dito dos volumes e formas, nos quais sua estrutura geométrica expressa por si só segurança, equilíbrio, tensão, força... Inclusive é importante a alternância ou jogo de espaços vazios e cheios, comparados com precisão de uma frase musical, onde são tão essenciais as notas como o silencio a duração daqueles e destes.
    Complementares, cores
    “A cor do complemento de onda dominante que o matiz absorve é a sua complementar”. É a cor “negativa”” de qualquer cor, como os negativos de fotografia. É a que forma o verdadeiro contraste. Quando uma cor é colocada lado a lado com sua complementar, elas se intensificam pelo contraste simultâneo. No círculo cromático a cor complementar é a que está “diametralmente oposta”, isto é, traçando um diâmetro é a que está do lado oposto. Quando você quiser chamar a atenção, use uma roupa que tenha estampa com cores complementares. Do mesmo modo, como o positivo e o negativo, o branco e o preto também são complementares. Os opostos se completam.
    Complementar, cor
    O complemento de cada uma das três cores primárias (vermelho, azul e amarelo) é a combinação das outras duas. Vermelho e verde; azul e laranja; e amarelo e violeta são os pares básicos. Na pintura, colocar duas cores complementares lado a lado faz ambas parecerem mais brilhantes.
    Combine Paintings
    Técnica ou obra resultante dela que consiste na combinação com a pintura de objetos industriais de consumo e produtos típicos da nossa sociedade contemporânea, tais como latas, cómics, etc.
    Colorismo
    Tendência, em pintura, em dar preferência à cor sobre o desenho.
    Colorido
    Disposição e grau de intensidade das cores de uma pintura.
    Collage
    Técnica ou obra resultante dela que consiste em combinar com a pintura, colando à tela ou painel, elementos planos heterogêneos, como pedaços de papel, recortes de jornal, têxteis, linóleo, etc.
    Claro-escuro
    Distribuição adequada das luzes e sombras num quadro. Esta denominação também se dá às obras pintadas numa só cor, monocromas, nas quais se obtém todos os efeitos através de simples variações tonais.
    Cirage
    Nome de origem francês que designa uma pintura monocroma onde predomina o amarelo-cera.
    Cera, pintura a
    Técnica pictórica que emprega a cera para aglutinar os pigmentos, misturando-os em estado liquido e aplicando-os depois sobre o suporte, seja em barras, seja derretida.
    Celagem
    Porção do céu representado num quadro.
    Carvão para desenho
    Palito para desenhar, de madeira carbonizada – brejo ou salgueiro geralmente -, que deixa um traço preto facilmente de ser apagado e ao mesmo tempo permite, muito melhor que o lápis, valorizar o traço. Por extensão, o desenho assim realizado se denomina também carvão.
    Cartão
    Desenho sobre papel, colorido ou não, realizado como modelo de uma pintura, mosaico, tapete ou vitral, no mesmo tamanho que terão, para servir de guia ao artesão que deverá executá-los. Por extensão, se dá esse nome às obras pintadas sobre tela como modelo para tapetes.
    Carnação
    Termo utilizado quase sempre no plural para se referir às partes de um quadro que representam a figura humana nua, isto é, a carne e sua particular cor.
    Caricatura
    Representação humorística de pessoas, fatos, situações etc... na qual certas particularidades ou traços são acentuados ou até mesmo exagerados.
    Campo
    Cor de base sobre a qual se pinta uma figura.
    Cálido
    Diz-se do colorido em que predominam tons dourados e avermelhados, bem como daquelas cores que se matizam com ditos tons.
    Calcomania
    Técnica pictórica que consiste em transferir imagens pintadas de um suporte a outro por pressão ou decalque. Tal como foi desenvolvida por alguns pintores surrealistas, consistia em distribuir a pintura irregularmente sobre uma folha de papel e aplicar depois sobre esta, outra folha em branco, sendo a pintura que se aderia à última o resultado procurado, fruto de certo modo do acaso, pois o artista não podia prevê-lo de antemão.
    Cabana
    Quadro de gênero que representa construções rústicas com pastores e gado doméstico.

D

    Donante
    Figura representada em muitas pinturas góticas de tema religioso comumente em um dos lados, que corresponde ao retrato da pessoa que custeou a realização da obra doando-a ao templo ou lugar em que foi colocada.
    Doador
    A pessoa que encomendou uma pintura religiosa e que, na arte medieval e renascentista, é frequentemente retratada em tal obra.
    Divisionismo

    Seurat acreditava que a arte deveria basear-se num sistema e conduziu o impressionismo a uma fórmula rigorosa. Inventou um método a que deu o nome “pintura óptica”(também conhecida como divisionismo, neo-impressionismo ou pontilhismo) e no qual pingos de tinta colocados lado a lado fundem-se aos olhos do observador. Seurat acreditava que esses pontos de cor intensa, dispostos sistematicamente em padrões precisos, imitariam os efeitos ressoantes da luz com maior fidelidade que a prática intuitiva e mais aleatória dos impressionistas.

    Em vez de misturar tintas na paleta, ele pintava aplicando pinceladas ínfimas e regulares de cor pura, as quais, quando vistas à distância, interagiam opticamente.

    glossrio divisionismo

    Se determinadas cores são colocadas muito próximas uma das outras, elas realçam-se mutuamente e proporcionam iridescência e profundidade à pintura. A palavra “pontilhismo” surgiu em 1886, quando o crítico Félix Fénéon usou-a para descrever La Grande Jatte.

    Díptico
    Quadro formado por duas tábuas que se fecham por um lado mediante dobradiças, como as capas de um livro.
    Degradar
    Diminuir o tamanho e a intensidade do colorido das figuras de um quadro, em razão da distância que se pretende se estimular entre elas e o plano anterior da obra (o mais próximo do espectador).
    Decorativa
    Diz-se daquela pintura interessada sobretudo pelos aspectos ornamentais.

E

    Execução
    Forma de execução de uma obra, cuja marca é perceptível na obra uma vez terminada. Este termo não se refere aos aspectos técnicos, sejam quais forem, mas aos mais imediatos à execução por parte do artista: se foi realizada com facilidade ou com esforço lento, ou com simples intuição ou meticulosamente detalhada, etc.
    Estuque
    No que se refere à pintura, pasta de cal e pó de mármore que se aplica nas paredes como estuque, podendo ser modelada e pintada. Muitas pinturas murais da antiguidade foram pintadas sobre estuque; é freqüente o erro de considerá-las pinturas a afresco, quando realmente não são porque a fixação das cores não se consegue, nesses casos pelo procedimento característico do afresco, isto é, a carbonatação do cal ao secar o estuque.
    Estucado
    Reboco fino que cobre uma parede. Emprega-se para isso diferentes materiais, entre os quais o mais comum é o gesso. Diz-se também da camada de cal, areia e pó de mármore que se estende sobre uma parede previamente preparada para proceder a pintura a afresco.
    Estresir
    Estampar formas ou figuras sobre um papel ou tela, utilizando-se, tanto de silhuetas recortadas, como de perfurações que permitam que a pintura ou tinta seja marcada apenas nas áreas ou pontos desejados.
    Estofar
    Em pintura, aplicar cortes sobre o ouro polido das talhas.
    Estilo
    "Estilo" Maneira ou caráter particlar de exprimir os pensamentos, falando ou escrevendo; feição especial dos trabalhos de um artista de um gênero ou época; uso; prática.
    Estilização
    Representação convencional da forma de um objeto, de maneira que destaquem exclusivamente seus aspectos mais característicos.
    Espátula
    Faca em forma de paleta. Entre outras utilidades, serve ao pintor para aplicar a cor diretamente sobre a superfície do quadro, substituindo o pincel. A obra realizada com essa técnica à qual as vezes se dá o nome de “espátulas” – tem um acabamento característico que produz a sensação de espontaneidade e vigor.
    Esfumado ou sfumato
    Na pintura ou desenho, transições de luz e sombra tão graduais que ficam quase imperceptíveis.
    Escorço
    Representação de um corpo ou figura num espaço menor do que corresponderia a sua dimensão, submetendo-as às leis da perspectiva.
    Esboço
    Propriamente, em pintura, traço colorido daquilo que será propriamente o quadro. Nele, é importante a cor, que o distingue do esboço ou apontamento, no que corresponde principalmente ao desenho. De fato, no entanto, normalmente as três palavras se empregam como se fossem sinônimos.
    Esbatimento
    Em pintura, sombra que um corpo faz sobre o outro.
    Ep-art
    Abreviatura da expressão inglesa “epidermal art”, que se refere as práticas artísticas ou para-artísticas que consistem na decoração ou pintura do corpo humano.
    Entunicar
    Dar duas demãos de cal e areia grossa à parede de tijolo ou pedra onde se deve pintar o afresco.
    Ensamblagem
    Ato ou efeito de ensamblar, de embutir peças de madeira por meio de entalhe.
    Encáustica
    Técnica de pintura a cera onde as cores misturadas são aplicadas quentes sobre a superfície a ser pintada. Atualmente se coloca uma fonte de calor pelo dorso do suporte.
    Encarnação
    Termo utilizado quase sempre no plural para se referir às partes de um quadro que representam a figura humana nua, isto é, a carne e sua particular cor.
    Enarenação
    Mistura de cal e areia com a qual se preparam as paredes a serem pintadas. Para a pintura a afresco, conforme a técnica do “buon’fresco” idealizada pelos artistas italianos do século XIII, se requeria uma camada de reboco grosso (arricio), composta de três partes de cal por duas de areia. Uma vez que esta camada se encontrava completamente seca para o que deveriam transcorrer vários meses – se umedecia exteriormente, aplicando-se sobre ela uma camada de estuque (intonaco) de um centímetro ou centímetro e meio de espessura, composta de areia fina, pó de mármore e cal em partes iguais. Sobre este estuque fresco, se pintava a dobra ou a correspondente parte dela, pois o trabalho deveria ser realizado na mesma jornada de aplicação da mencionada camada.
    Emulsão
    Suspensão na água de substâncias insolúveis nela, dispostas em forma de partículas pequeníssimas.
    Empastar
    Aplicar a cor sobre a superfície que se pinta em quantidade suficiente para que cubra bem a imprimação e o esboço traçado sobre ela.
    Emakimono
    Palavra japonesa que designa uma pintura desenvolvida horizontalmente num longo papel, que se enrola e desenrola para lê-lo. É, com efeito, um tipo de pintura adequado para ilustração de textos, entre os quais se encontra o famosíssimo “Genji Monogatari” (História do príncipe Genji), escrito por volta do ano 1010, do qual foram feitas cópias belíssimas ilustradas nos séculos XI e XII.
    Emaki
    Palavra japonesa que designa uma pintura desenvolvida horizontalmente num longo papel, que se enrola e desenrola para lê-lo. É, com efeito, um tipo de pintura adequado para ilustração de textos, entre os quais se encontra o famosíssimo “Genji Monogatari” (História do príncipe Genji), escrito por volta do ano 1010, do qual foram feitas cópias belíssimas ilustradas nos séculos XI e XII.

F

    Fumage
    Técnica pictórica que utiliza efeitos de fuligem, mais ou menoa aleatórios, sobre superfícies coloridas anteriormente.
    Fottage
    Técnica pictórica baseada na obtenção de imagens por fricção de um lápis ou carvão num papel aplicado a uma superfície rugosa.
    Figurativa
    Refere-se à arte que representa figuras da realidade da nossa experiência sensível, em oposição ao abstrato.
    Fauvismo
    Escola que utiliza cores vibrantes e livre tratamento da forma na representação do mundo, iniciando a redução da linguagem da pintura a seus meios de expressão essenciais: cor, forma e pincelada.
    Fallenbild
    Termo alemão, traduzido como “quadro casual”, que designa uma técnica pictórica aperfeiçoada pelo novo realista Daniel Spoerri, a base de fixar com resina sintética sobre uma prancha os restos de um processo anterior.

G

    Guache
    Galicismo com o qual se designa atualmente a pintura a aguado.
    Grisalha
    Obra pintada unicamente à base de preto, cinza e branca. Os artistas costumam utilizar esta técnica para preparar os esboços e também para representar baixos-relevos e outras obras escultóricas.
    Gravura
    Arte de formar por meio de incisões e talhos, ou de fixar por meios químicos, em metal, madeira, pedra etc... imagens e eventualmente, letras em relevo, a entalhe ou em plano, para reprodução e multiplicação por entintamento e estampagem, manual ou mecanicamente, em papel ou outro material. Conforme o material empregado, recebe diferentes nomes: litogravura, xilogravura etc.
    Grattage
    Técnica pictórica utilizada por alguns pintores surrealistas, que consiste em estender cores ao acaso sobre uma prancha de madeira e uma vez seca, traçar sobre elas efeitos a base de raspado.
    Gradação das cores
    Gradação é a mistura gradativa entre as cores formando novas cores a partir das primárias, as secundárias, o branco e o preto. Essa mistura gradativa é conhecida como “degradê”. A mistura gradativa das cores forma novas cores pela variação de intensidade e tonalidade.
    Gênero, Pintura de
    Entende-se por tal a que representa cenas da vida diária.
    Gênero
    Em pintura, cada um dos grupos em que são classificadas as obras, por temas. Por exemplo, retratos, nus, paisagens, natureza morta, etc.

H

    I

      Isocromia
      Isocromia é a harmonia obtida em uma composição usando-se cores diferentes, mas que implicam uma na outra. Por exemplo: uma pintura que tem o magenta como cor predominante e o uso de uma de suas MATIZES.
      Intimismo
      Estilo adotado por um subgrupo dos nabis nele, interiores domésticos são representados de maneira informal e íntima.
      Imprimação
      Em pintura, mistura de diversas substâncias que se aplica diretamente sobre a superfície do suporte uma ou varias camadas, com o fim de assegurar a uniformidade da superfície e a perfeita aderência das cores.
      Imaculada Conceição
      Na teologia católica, a doutrina de que a Virgem Maria estava livre da mácula do pecado original desde o momento mesmo em que fora concebida.
      Iluminar
      Enfeitar um livro, um manuscrito ou uma gravura colorindo letras e desenhos.
      Iconostásio
      Espécie de tapume ou biombo que, provavelmente nos templos de tradição bizantina, isolava o presbitério e o altar do resto da nave, comunicando ambas zonas do templo através de uma ou varias portas. Costumava estar excessivamente decorado com pinturas e imagens.
      Iconologia
      Na pintura, representação de virtudes, vícios e outras realidades morais, com figura ou aparência de pessoas.
      Iconografia
      No sentido que aqui mais interessa, conjunto de imagens sobre um objeto ou determinado personagem. Também se referindo a um artista, conjunto de tipos e personagens retratados em suas obras.
      Icono
      Palavra conm que se nomeiam as representações de Cristo, da Virgem e dos santos nas igrejas orientais, principalmente nas de tradição bizantina.

    J

      Jaspear
      Limitar pictóricamente os veios e as salpicaduras do jaspe e do mármore com veios.
      Japonisme ou japonismo
      A influência do Japão na arte européia, em especial na pintura impressionista e pós-impressionista.
      Japão, papel
      Qualidade de papel altamente adequada para a pintura a aguada.

    K

      Kakemono
      Termo japonês que designa uma pintura sobre papel ou seda em forma de tira vertical, que se pendura nos quartos.

    L

      Luz
      Referente a um quadro, ponto ou centro desde o qual o artista ilumina a cena ou os objetos que pinta.
      Litografia
      Técnica de reprodução gráfica, utilizada frequentemente para a multiplicação ou seriação de obras de arte inclusive pelos próprios artistas, que consiste em desenhar ou gravar a obra sobre uma placa de pedra preparada, que serve de matriz para a estampa de certo número de cópias em papel. O número destas cópias costuma ser reduzido e normalmente também se indica, principalmente quando o artista intervem diretamente no processo, numerando-se os exemplares assim obtidos; depois se destroem as pranchas.
      Linóleo
      Técnica de reprodução ou gravura em relevo, em que se utiliza como prancha um linóleo grosso, sendo feito de cortiça em pó amassada com azeite de linhaça.
      Lavado
      Pintura em aguado feita de uma única cor.
      Laca
      A laca tradicional é uma substância resinosa, vermelha, translúcida e quebradiça, que certas arvores do gênero Fícus expelem ao serem picadas por alguns insetos semelhantes à cochonilha. Está formada de seiva da árvore e dos restos desses mesmos insetos mortos no liquido que os envolve. A partir dessa substância se obtém um material fácil de trabalhar e também um verniz duro e brilhante, de cor vermelha, muito, empregada pelos chineses e japoneses em suas obras, tanto por suas qualidades estéticas como pelo notável grau de proteção que confere à madeira. Atualmente se empregam lacas artificiais, que não tem nada a ver com a laca tradicional, pois sua natureza química é muito diferente.

    M

      Mural
      Obra pictórica cujo suporte é um muro ou parede convenientemente preparado para recebê-la.
      Múltipla, obra
      A que se faz em série por procedimentos que simplificam e barateiam sua produção.
      Movimento
      Diz-se que uma pintura tem movimento quando sua composição dirige a atenção do contemplador de um ponto a outro da superfície pintada, ordenadamente, de acordo com o desígnio do artista. Não se trata de representação de figuras em movimento, mas que a própria composição da obra confira a esta um movimento interno e virtual.
      Monocromia
      Uma pintura que emprega vários tons de uma mesma cor recebe o nome de monocromia: a arte feita com uma única cor, com variação de tonalidades. É a harmonia obtida através da adição gradativa de branco ou preto a uma única cor primária, secundária ou terciária. MONO + CROMIA = UMA COR ESCALA MONOCROMÁTICA é a gradação de valor e intensidade de uma mesma cor. Misturadas com o preto tornam-se mais escuras (ESCALA DE VALOR) e com o branco ficam mais claras ( ESCALA DE INTENSIDADE ). As coisas, na realidade, nunca são de uma só matiz ou tonalidade de cor. Existe grande variedade de matizes e tons dentro de uma mesma cor. As cores recebem influência da luz, da intensidade, dos reflexos e também da nossa própria retina.
      Módulo
      Dimensão tomada de alguma parte do corpo humano, que serve para determinar com relação a ela as dimensões mais harmoniosas das demais partes.
      Mixed Media
      Expressão inglesa que se refere a obras, muitas vezes experimentais, nas quais se empregou ao mesmo tempo técnica diferente e habitualmente não associada.
      Miniar
      Ilustrar com miniaturas. Este termo se deriva do latim que significa pintar com mínio – um óxido de chumbo vermelho alaranjado ou vermelhão. Daí passou a significar a iluminação de códices a base de pequenos pontos de cor.
      Merz
      Termo alemão designado pelo pintor e escultor Kurt Shwitters (1887 – 1948) a suas obras de ensamblagem de objetos sem valor e resíduos da sociedade de consumo.
      Mecenas
      Pessoa que com seu apoio e patrocínio econômico possibilita ao artista se consagrar na realização de sua obra. Este foi o papel do grande Cayo Cilnio Mecenas (73-8 AC) em relação a Virgilio e Horácio, por exemplo, a quem se refere o citado termo.
      Mec-art
      Abreviatura da expressão “mechanic art”, que designa técnicas artísticas baseadas fundamentalmente no emprego de artifícios ou materiais semelhantes aos da tecnologia atual.
      Matizar
      Dar a uma cor uma determinada nuança que a diferencia da cor pura. Também, num sentido mais amplo, harmonizar as cores e ainda, simplesmente, colorir.
      Matiz
      Cada uma das graduações ou modulações que uma cor pode receber sem perder o nome que a distingue das outras.
      Marina
      Em pintura, a forma considerada própria, sem considerar o que representa.
      Marchand
      Galicismo com o que designam os comerciantes de obras de arte. Mais concretamente, na contemporaneidade, pessoa que estabelece com o artista uma relação comercial, em virtude da qual se encarrega da promoção, difusão e venda da obra que este realiza.
      Maniera
      Termo italiano que designa o método e o estilo que o artista confere a suas obras.
      Mandorla
      Óvalo que circunda as representações medievais e renascentistas de Cristo majestade e da Virgem Maria. Por sua forma, se denomina também “amêndoa mística”. A arte budista utiliza frequentemente uma auréola semelhante em suas imagens de Buda e dos “bodhisattvas.
      Mancha
      Estudo ou esboço feito pelo pintor, já utilizando as cores, para distribuir os efeitos claro-escuro.
      Maestá
      Termo italiano que se aplica às representações da Virgem Maria num trono e com o Menino Jesus.
      Madona
      Representação da Virgem Maria. Frequentemente se utiliza o termo italiano madonna.

    N

      Nimbo
      Disco ou auréola luminosa que se pinta rodeando a cabeça de Cristo, da Virgem e dos santos nas representações devotas.
      Natureza Morta
      Quadro que representa animais mortos ou coisas inanimadas.
      Natural, Pintura do
      A que toma como modelo as realidades da natureza e principalmente, os seres vivos que existem nela.

    O

      Ornamental
      Diz-se da pintura – e geralmente, daquela obra de arte que se propõe como enfeite ou adorno, subordinando suas próprias possibilidades expressivas em função de realçar a moldura ou a obra em que se inclui. É evidente que em toda pintura mural, por exemplo, ornamenta o muro em que se encontra; mas somente poderá ser denominada ornamental à medida que renuncia a expressar conteúdos próprios em favor do espaço arquitetônico ao qual serve.
      Onirismo
      Tendência artística que insiste na representação dos sonhos e na tentativa de plasmá-los em imagens pictóricas.
      Óleo, Pintura a
      Técnica pictórica que utiliza cores a base de pigmentos moídos e coesionados com certos óleos, tais como os de linhaça, noz e dormideira. Para facilitar sua aplicação se empregam também outros óleos dissolventes e secantes. Seu suporte adequado é, indistintamente, a madeira – sobre a qual começou a se aplicar em suas origens – ou a tela, preferida desde o século XVI pelos numerosos pintores que desenvolveram esta técnica, da qual podemos dizer com justiça que abriu novos caminhos para a pintura pela liberdade e pelos meios que ela proporciona ao artista.

    P

      Psaligrafila
      Retrato em silhueta recortado em papel habitualmente preto, que se prega em um fundo monocolor.
      Primeira Bienal
      Em 1951, Francisco Matarazzo Sobrinho, o “Ciccillo”, realizou, nos moldes da Bienal de Veneza, a I Bienal de Arte de São Paulo, que trouxe para o Brasil a arte contemporânea de todas as partes do mundo. Duas tendências surgiram na pintura: o concretismo, que destacou o geometrismo e a matemática, e o abstracionismo, que abandonou a figuração e a realidade, expressando-se apenas por meio das formas e das cores.
      Preparação
      Em pintura, mistura de diversas substâncias que se aplica diretamente sobre a superfície do suporte uma ou varias camadas, com o fim de assegurar a uniformidade da superfície e a perfeita aderência das cores.
      Predela
      Parte inferior de um retábulo.
      Preciosismo
      Artificialidade e amaneiramento do estilo pelo desejo de conseguir uma obra perfeita.
      Pompier, Art
      Literalmente, arte bombeiro ou pompierismo. Expressão francesa para designar pejorativamente uma arte preciosista.
      Políptico
      Nome dado aos quadros ou pinturas que se subdividem interiormente em requadros com cenas diferentes. Também e com maior propriedade, aos compostos por um número variável de tábuas – mais de três – que habitualmente se dobram sobre si mesmas.
      Policromia
      É a arte feita com várias cores. É o emprego de várias cores no mesmo trabalho. POLI + CROMIA = MUITAS CORES Em artes gráficas, a policromia é obtida através da combinação das três cores primárias (amarelo; cian; magenta) mais o preto para realçar os contrastes. As ilustrações aparecem com cores bonitas. Tonalidades e matizes dão uma agradável sensação a quem olha. Mas, para imprimir, as cores foram separadas. Não resta dúvida de que, para se obter um resultado harmônico da combinação de cores, é necessário um certo critério, bom-senso e um mínimo de conhecimento do uso dos materiais de pintura mas a experiência pessoal é ainda mais decisiva e é o que alimenta a revolução constante da arte. As técnicas de pintura se desenvolveram, se industrializaram e a tecnologia criou os pigmentos sintéticos. Cores “artificiais”, feitas em laboratório, mas tão intensas e belas como as cores naturais que tentam imitar. Muitas tintas industrializadas ainda são feitas com pigmentos naturais, mas já existem pigmentos sintéticos de todas as cores. Os corantes também são pigmentos. Você já percebeu quantos corantes consumimos em nossas refeições? É por que a cor dos alimentos também é um atrativo para aguçar o paladar: a gente também come “com os olhos”.
      Plumeado
      Efeito de sombreado num desenho ou pintura, realizado a base de riscos finos.
      Pintoresco
      Diz-se dos objetos ou coisas que se julgam agradáveis ou dignos de serem pintados. O sentido do termo, no entanto, ressalta um excesso de valores pictóricos em dito objeto ou coisa que, de certo modo, desmerece ou encobre seus valores essenciais.
      Pinacoteca
      Este nome foi dado na antiguidade clássica aos quartos ou salas dos templos em que se guardavam as pinturas votivas. Hoje se aplica normalmente aos museus ou galerias de pinturas.
      Pigmento
      Material corante. Os pigmentos são de natureza muito diversa. De origem mineral, de origem vegetal e de origem animal. E modernamente se sintetizaram substâncias químicas com esta função. Para sua utilização em pintura – isto é, para que possam ser aplicados com facilidade e para que se fixem adequadamente ao suporte -, geralmente necessitam de outras matérias ou substâncias para que adiram e fixem, assim como de outras que os dissolvam e aclarem.
      Pietá
      Representação da Virgem Maria com o corpo de Cristo morto em seus braços.
      Pictoricismo
      Tendência que acentua o valor e a importância dos elementos puramente pictóricos da obra, em detrimento do desenho.
      Perspectiva
      Representação convencional de objetos ou realidades tridimensionais sobre uma superfície, de forma que, de alguma maneira, se note sua tridimensionalidade, isto é, se organizem e articulem de forma que não pareçam objetos e realidades planas. A pintura sempre se enfrentou com o problema da representação de objetos tridimensionais no plano. Historicamente foram os avanços da ciência ótica no Renascimento que tornou possível abordar o estudo do que se conhece como “perspectiva cônica”, que levava até à pintura as leis próprias da visão humana, com suas limitações e relatividades. Mas realçamos que esta sujeição às leis da perspectiva cônica não é o único meio que o artista tem para organizar o espaço interior de sua pintura. Tal perspectiva desempenha um papel secundário em muitas obras da pintura contemporânea, como representou também em muitas pinturas anteriores ao Renascimento ou, por exemplo, na pintura chinesa. Principalmente quando o artista não está, ao contrário dos olhos, submetido a um único ponto de visão, mas oferece em sua obra quantos planos, direções e visões deseje, sob o olhar e compreensão do contemplador da mesma.
      Perfil
      Contôrno de uma figura, representado convencionalmente por uma linha ou sucessão de linhas que o determinam.
      Pátina
      Tom suave e uniforme que o tempo dá a certas obras de arte como, por exemplo, às pinturas a óleo. Refere-se a semelhança do aspecto que adquirem com o passar do tempo as esculturas de bronze. Mediante diferentes técnicas, o artista pode criar determinados efeitos de pátina.
      Pathos
      Termo grego – do qual se deriva o português “patético” que, numa obra de arte, se refere à sua expressividade de sentimentos poderosos e apaixonados, com certa perda do equilíbrio clássico.
      Pastiche
      Obra que resulta da mistura e confusão de diversos estilos ou temas.
      Pastel, Pintura a
      Técnica pictórica que utiliza barras ou lápis de cores moles e pastosas, preparadas à base de uma matéria corante muito moída e goma de tragacanto, que deixam sobre o papel, seu suporte habitual, um traço de cor característico e cheio de matizes. É uma técnica rápida e direta, com a qual se conseguem belos efeitos, embora existam dificuldades para ser conservada sem se alterar.
      Passareira
      Diz-se da pintura nas quais as cores são estridentes e contrastam harmonicamente. Refere-se ao colorido exagerado das penas de alguns pássaros.
      Pasmado
      Diz-se do quadro ou pintura cujas cores ou vernizes se embaçaram.
      Parietal, Pintura
      Sinônimo de pintura rupestre, embora por extensão se aplique a qualquer pintura realizada sobre um muro ou parede.
      Pantocrátor
      Termo derivado do grego, com o sentido de “soberano universal”, com o qual se designam aquelas representações de Deus pai ou de Cristo na figura de rei, freqüentes na arte bizantina e no romântico.
      Paleta
      No sentido real, artefato, geralmente de madeira que utiliza o pintor para ter suas cores em ordem e preparadas e efetuar nela suas misturas antes de aplicá-las no suporte. Em sentido figurado, se refere às cores que habitualmente utiliza um determinado pintor nas obras, aquelas que mais o caracterizam e que utiliza como matizes. A expressão “paleta quebrada”, por exemplo, se aplica ao artista que não emprega as cores puras, como se encontram nas lojas, mas que as “quebra”, isso é, modula ou matiza na paleta com a mistura de outras.
      Paixão
      Os sofrimentos de Cristo entre a Última Ceia e a Crucificação.
      Paisagem
      Pintura ou desenho que representa certa extensão de terreno. Deriva deste o termo país, com o mesmo significado.

    Q

      Qualidade
      Este termo é aplicado habitualmente no plural, para se referir às sensações táteis que as matérias empregadas produzem numa pintura, independentemente do representado.

    R

      Rupestre, Pintura
      A realizada pelos artistas do Paleolítico superior e do Neolítico nas paredes das rochas e cavernas.
      Rugosidade
      A textura irregular da tela, que possibilita a aderência da tinta.
      Rollenbild
      Sucessão de colagens abstratas dispostas em forma de rolo, experimentada por alguns artistas do Dadaísmo.
      Reverberação
      Reflexo da cor de um corpo iluminado sobre outro próximo.
      Retoque
      Entendem-se como retoques as pinceladas que são dadas em uma pintura depois de seca, sendo “arrependimentos” as modificações que são feitas enquanto a pintura não está seca.
      Retábulo
      Em pintura, quando de altar.
      Ressentido
      Diz-se daquelas figuras cujos contornos são excessivamente marcados.
      Repintar
      Pintar sobre o já pintado, para restaurar uma obra ou para melhorá-la.
      Repetição
      Obra, ou parte dela, repetida pelo autor como obra diferente ou como incluída em outra diferente.
      Renascimento
      Termo comumente aplicado ao período histórico da civilização européia que se desenvolveu entre 1300 e 1650; movimento amplo e complexo que teve como característica primordial a valorização do homem como centro do universo.
      Relevo
      Realce ou vulto que aparentam as coisas pintadas, mesmo quando representadas em plano.
      Raiograma
      Técnica de fotografia sem câmera, por aplicação direta do objeto sobre uma placa fotosensível, iluminação e posteriormente revelado. Man Ray que desenvolveu em 1922 para seus trabalhos de colagem e que depois alguns artistas surrealistas adotaram.

    S

      Sumi-ê
      Pintura de traço “único”, derivada da técnica caligráfica oriental, quase uma escrita realizada com pincel. A simplicidade e determinação que ela requer para executá-la, aproximam o Sumi-ê dos ideais ascéticos da mística japonesa.
      Sombra de Veneza
      Certa pedra de cor escura que, moída, dá um pigmento adequado para sombrear em pintura.
      Sombra
      Cor escura, contraposta a clara, onde os pintores e desenhistas representam a falta de luz, entoam suas obras e dão vulto aparente aos objetos.
      Solto
      Adjetivo que, aplicado a “execução” de uma obra pictórica, indica facilidade, espontaneidade e decisão na pincelada.
      Sinópia
      Desenho preparatório para a realização de um afresco, em que se utilizava um pigmento vermelho extraído de uma terra dessa cor conhecida como “sinopis”.
      Simultanismo
      Adoção simultânea, numa mesma obra, de diversas perspectivas justapostas e ainda contraditórias, como se o objeto se revelasse ao mesmo tempo desde diferentes pontos de vista. No entanto, mais que um desejo de romper na obra com as limitações da visão unifocal, o que os artistas que utilizaram esta técnica ou principio pretendem realmente é introduzir em suas obras o elemento tempo.
      Shaped canvas
      Literalmente, tela ou suporte modelado, isto é, ao que foi dado uma forma diferente da habitual retangular e isso precisamente para maior identificação entre o conteúdo da pintura e seu formato.
      Semana de Arte Moderna
      Evento ocorrido no Teatro Municipal de São Paulo nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922. idealizado por Di Cavalcanti, a Semana apresentou uma série de eventos na área de literatura e da música, e preparou uma exposição de Artes Plásticas. As atividades da Semana, que chocaram o público presente, tinham como objetivo romper com o academismo e propor uma arte brasileira dentro dos preceitos de nacionalismo.
      Sanguínea
      Lápis de cor vermelho escuro a base de um óxido de ferro (hematites), utilizado por muitos pintores como alternativa do carvão. Também se denomina assim a obra realizada com este lápis.

    T

      Tríptico
      Pintura sobre três folhas ou tábuas, nas quais as das laterais se dobram, mediante dobradiças, sobre a do centro.
      Trasunto
      Cópia de um quadro original. Por extensão, representação do tomado como modelo.
      Tondo ( italiano: "círculo")
      Pintura ou relevo de formato circular.
      Tondinho
      Pintura realizada sobre um suporte em forma de círculo.
      Textura
      Disposição de fios de um tecido. Por extensão, em pintura, este termo se refere às qualidades materiais da obra pictórica: espessura das camadas e empastes, pinceladas, etc.
      Terre-verte ( francês: "terra verde" )
      Pigmento natural obtido de terra vegetal e usado como base para tons de verde e cinza.
      Têmpera, Pintura a
      A que utiliza pigmentos secos “temperados”- dissolvidos, misturados – num meio que os torna aderentes e que os fixa e estabiliza no suporte a que estão destinados. Dito meio costuma ser substâncias gelatinosas de diversas naturezas, tais como goma arábica, gema de ovo, caseína, ceras, etc. A maioria das técnicas pictóricas se baseia na têmpera, embora essa denominação se reserva de preferência para aquela classe de têmpera que emprega como aglutinante a gema de ovo e historicamente é a que surtiu melhores resultados.
      Tela
      Tecido de linho, cânhamo ou algodão que, depois de lavado e convenientemente tratado e colocado esticado num bastidor, serve para pintar sobre ele. Por extensão, se dá também este nome à obra pintada sobre a dita tela.
      Técnica
      Ao se referir à técnica de determinado pintor, além de se referir ao tipo de pintura que emprega – óleo, afresco, aquarela, etc.-, faz referência ao uso adequado ou inadequado dos elementos que a caracterizam: da preparação do suporte, das cores, vernizes, etc. O bom conhecimento e o bom manejo, dos elementos próprios de cada técnica é o que permite ao artista tirar melhor proveito dela, embora, às vezes, os que a dominam melhor não são precisamente os melhores artistas. A influência da técnica era muito mais importante no passado que agora, dado que o artista era obrigado a realizar uma série de tarefas que atualmente se encontram feitas; por exemplo, a da elaboração de suas próprias cores. Insuficiências técnicas conduziram ao posterior deterioro de muitas obras de arte.
      Tecidos
      Na pintura é utilizado geralmente no plural, se refere às roupas representadas e – em concreto – às que se dissimulam com um jogo de pregas. O tratamento dos tecidos é especialmente importante para criar a sensação de volume corporal com seu jogo de luzes e sombras; daí a atenção que, historicamente, mereceu, desenvolvendo-se diversas técnicas para conseguir esse efeito. Do mesmo modo, os tecidos podem introduzir numa obra pictórica ritmos lineares expressivos.
      Tábua
      Pintura feita sobre madeira.

    U

      V

        Vinavil
        Resina sintética utilizada como aglutinante para pigmentos em pó.
        Verniz
        Substância resinosa e transparente que se aplica na diluição sumamente volátil sobre a superfície das pinturas uma vez terminadas, proporcionando brilho ao mesmo tempo em que as protege do deterioro que possam causar os agentes atmosféricos, os micro-organismos e o pó. Os vernizes costumam tender, em geral, ao amarelamento, com o que as cores originais do quadro se apagam e escurecem. Como retirar o verniz envelhecido era tarefa altamente delicada, os quadros antigos costumavam ser protegidos com a aplicação de novas camadas, cuja eliminação constitui atualmente um dos trabalhos prévios para a restauração de uma pintura.
        Vernissage
        Galicismo que, referindo-se à mão de verniz se aplica como acabamento final dos quadros a óleo, designa a “apresentação em sociedade” das obras de um artista perante suas amizades e atualmente e normalmente, a inauguração de uma exposição.
        Verdura
        Representação da folhagem em paisagens e tapetes.
        Veladura
        Tinta ou camada transparente que se aplica sobre uma cor, seja para lhe dar mais brilho ou para suavizá-lo.
        Veículo
        Nas substâncias que compõem uma cor, a substância que aglutina os pigmentos e permite estendê-los sobre o suporte.
        Veduta
        Italianismo, traduzível por “vista”, no sentido de uma composição pictórica tipo paisagem, que se aplica geralmente a um gênero de pintura desenvolvido no Setecentos em Veneza, pródigo em paisagens e vistas urbanas.
        Variante
        Obra realizada por um artista na qual modifica a composição, as cores ou as dimensões de sua outra obra anterior, repetindo-a no essencial.
        Vanitas
        (latim: "vaidade") Pintura alegórica, frequentemente apresentando um crânio, na qual os objetos representados destinam-se, no todo ou em parte, a fazer lembrar a efemeridade ("vaidade") da vida humana.
        Vânitas
        Termo latino que significa “vaidade” que se designam certas naturezas mortas da época barroca, nos quais representavam diversos objetos simbólicos referentes à brevidade da vida e realidade enganosa dos bens terrenais, como caveiras, ruínas, etc.

      W

        X

          Y

            Yamato-e
            Estilo pictórico japonês, próprio da época Nara, de formas simplificadas e temas legendários e históricos.

          Z

            Zoomorfo

            Em forma de animal.

            Zenital

            Diz-se da iluminação dos objetos ou figuras de um quadro que se projeta sobre eles desde o alto, perpendicularmente.