Academia

  • Academia Nacional de Belas Artes

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    A formação da academia de Belas Artes, remonta ao século XIV, quando os artistas descobriram a perspectiva, e sentiram que a sua arte tinha uma base científica, que não era uma arte somente manual, de artesão ou servil. Ao se inspirar na Antiguidade Clássica, desvencilhando-se do teocentrismo, o homem renascentista, teve consciência do seu valor e do valor das artes plásticas. Este valor dos artistas foi aumentado consideravelmente a partir da obra de Giorgio Vasari - Vidas de artistas italianos - publicado em 1550.

     Com o privilégio dado aos artistas, houve uma necessidade da formação de academias de Belas Artes. A idéia de Academia, de ensino oficial, de desvincular o artista de um único mestre (corporações de ofício) e mostrar-lhe o exemplo de vários mestres, surge na Toscana - Itália, no século XVI, para assegurar a universalização do ensino e uma melhor vigilância da opinião por parte do governo.

     Logo depois as academias se espalham por toda a Europa. Entretanto, na América Latina, é somente no ano de 1785, na Cidade do México, que é formada a primeira Academia chamada Academia Real de San Carlos.

     No Brasil, em 1816, chega a Missão Francesa chefiada por Joachim Lebreton, a pedido de D. João VI, para formar a Academia de Belas Artes. Nesta Missão vieram vários artistas como: Jean Baptiste Debret, Marc Ferrez Félix Èmile Taunay, Zephyrin Ferrez, Auguste-Henri Victor Grandjean de Montigny, Nicolas Antoine Taunay e Auguste Marie Taunay.

     É criada a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios em 12 de agosto de 1816, não chegando a funcionar e, em 12/10/1820, recebe nova denominação — Real Academia de Desenho, Pintura, Escultura e Arquitetura Civil. Novamente a escola não funciona, e finalmente em 23/11/1820, há a criação de uma escola de ensino artístico com o nome de Academia de Belas Artes, com aulas de desenho, pintura, escultura e medalha.

     Os artistas franceses eram influenciados pelo academicismo europeu e, enfatizaram um ensino indiferente à realidade brasileira, ou seja, uma arte para atender a elite dirigente, no sentido de documentar os acontecimentos de interesse desta elite, cuja memória seria perpetuada. Era uma arte padronizada, para decorar salões, de um gosto artístico determinado, seguindo o modelo das cortes européias de encomendar telas ou bustos para documentar fatos de seu interesse.

     Logo após a chegada da Missão Francesa, vários artistas estrangeiros aqui chegaram, normalmente junto a expedições científicas, e retrataram tanto as cidades, principalmente Rio de Janeiro, como a natureza. Dentre os artistas pode-se citar, Thomas Ender, austríaco, chegou ao Brasil junto à missão científica que acompanhou a Arquiduquesa Dona Leopoldina, noiva de Dom Pedro. Ficou no Brasil, somente no período de 1817 a 1818, entretanto, deixou diversas obras sobre os aspectos do Rio de Janeiro; Charles Landseer, inglês, desenhista, pintor e gravador chegou ao Brasil acompanhando o embaixador Sir Charles Stuart, que vinha tratar de nossa independência política, fez diversos retratos e documentou em aquarelas e desenhos, além de retratar vários aspectos do Rio de Janeiro; Johann Moritz Rugendas, alemão, teve uma intensa vida artística no Rio de Janeiro, participando das exposições da Academia.

     Os artistas que chegaram neste momento, da mesma forma que os anteriores, passam a atender às solicitações da Corte, desinteressando-se dos temas e costumes da terra, ou de movimentos sociais. Não há muitas mudanças nas formas ou estilos, mas sim de artistas.

     Em 02 de dezembro de 1829, por iniciativa de Debret, realizou-se na Academia de Belas Artes a primeira exposição coletiva de artes plásticas com o título, “Exposição da Classe de Pintura Histórica”. Das 115 obras expostas, 82 foram executadas por alunos. Essas exposições foram repetidas e deram origem às ‘Exposições Gerais’ (instituídas por Félix Èmile Taunay), com apresentação regular e prêmios oficiais.

     Em meados do século XIX, no Brasil, há uma evolução nas artes plásticas, pois surgem os artistas nacionais formados pela Academia, e as Exposições Gerais vão sendo ampliadas. Há um afluxo de jovens de outras províncias ao Rio de Janeiro, atraídos pelos cursos oferecidos pela Academia de Belas Artes e a oportunidade de aperfeiçoamento na Europa.

     Nas premiações das Exposições Gerais de Belas artes, os artistas que tiveram a oportunidade de viajar à Europa, puderam complementar seu aprendizado, técnico e cultural, e ao retornar ao Brasil, transmitir um pouco deste conhecimento aos alunos da Academia.

     D. Pedro II, muitas vezes, oferecia bolsas de estudo aos artistas, era benevolente, entretanto mantinha uma mentalidade atenta aos modelos das cortes, não aceitando qualquer traço popular. Porém, os artistas, ainda que um pouco limitados, vão escapando da temática acadêmica, e procuram, retratar em suas pinturas temas como a natureza, a vida social, as pessoas no seu habitat real e muitas vezes pintam naturezas-mortas, embora sejam pinturas de ateliê.

      Nossa pintura, como as demais artes visuais, mantinha no século XIX aquele mesmo atraso que se implantara no Brasil o neoclassicismo. Por deficiência do meio, apenas animado pelas restritas veleidades de uma Corte que visava a arte como um recurso ilustrativo de sua existência e não como um reflexo da realidade social, o pintor brasileiro permanece alheio aos grandes movimentos ideológicos que, no século XIX, deram a cultura em geral e, conseqüentemente às artes, uma permanente vitalidade criativa.

     Alguns pintores formados pela Academia se destacaram: Vítor Meireles de Lima, embora professor de pintura de paisagem não quebrava o rigor do academicismo, Pedro Américo de Figueiredo e Melo, João Zeferino da Costa, José Ferraz de Almeida Júnior, Rodolfo Amoedo, Henrique Bernardelli, Belmiro Barbosa de Almeida, Antônio Diogo da Silva Parreiras, Oscar Pereira da Silva, Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo, Antônio Firmino Monteiro, Antônio Rafael Pinto Bandeira, Décio Rodrigues Vilares, Modesto Brocos Y Gomes, Benedito Calixto e Pedro Weingartner, grande pintor gaúcho.

     Havia um certo preconceito contra o gênero da paisagem, pois no Brasil colonial a arte não se afastou da temática religiosa e com a missão francesa a pintura era voltada para a pintura histórica, onde a natureza só era usada como elemento de fundo de uma composição.

     Foi com o pintor alemão, Georg Grimm, já influenciado pelo impressionismo, quando nomeado para o ensino de paisagem na Academia, logo depois do seu sucesso nas Exposições Gerais de 1882, que houve uma revolução no ensino das artes no Brasil. Rompe-se com a pintura convencional de ateliê, e os alunos vão com Georg Grimm, aos arredores do Rio de Janeiro, à procura da natureza, de seus trechos preferidos da paisagem e da cor. Das obras de Grimm, que ficaram no Brasil, pode-se citar: Vista do Cavalão, Rochedos da Boa Viagem, Paisagem, Rua de Tunis e Fazenda da Glória.

     Um pintor que merece destaque é Estevão Roberto Silva, que embora ligado aos discípulos de Grimm, não abandonou a A.B.A., continuando as aulas com Vitor Meireles. Estevão é o primeiro pintor negro que se destaca dentre os saídos da academia. Ele é o percussor do que se conhece como happening, pois em uma de suas exposições com quadros de frutas escondeu, por detrás dos quadros, frutas verdadeiras, o que surpreendia os visitantes que percebiam em suas telas cheiro forte de frutas. De suas composições merecem destaque: São Pedro, A Caridade e o esboço para A Lei de 28 de Setembro.

     A medida em que se aproxima a República, há uma mudança dentro da Academia, um movimento contra o antigo sistema de ensino, que era incapaz de corresponder aos novos anseios dos alunos e de alguns professores como Henrique Bernadelli e Rodolfo Amoedo.

     Na República, as Exposições Gerais, são substituídas pelo Salão Nacional de Belas Artes, a Academia agora se chama Escola Nacional de Belas Artes, e é também criado um Premio de Viagem, que permitia ao vencedor uma permanência de dois anos na Europa.

     Eliseu Visconti foi o primeiro aluno premiado, quando foi restabelecido o Premio de Viagem da Escola, em 1892. Em Paris, ingressou na École Nationale de Beaux Arts, e durante seu estágio, expôs anualmente no Salon dês Artistes Françaises, onde obteve medalha de prata na Exposição Universal de 1900 em Paris, com as telas: Recompensa de São Sebastião, Gioventú e Dança das Oréadas. Visconti rompe definitivamente com qualquer preconceito conservador na arte brasileira, e toma consciência da pintura ao ar livre, da vibração luminosa e atmosférica, tornando-se assim o pioneiro do modernismo no Brasil. Sempre seguro na sua arte, tem sempre destaque na pintura brasileira, seja no nu, no retrato, na paisagem, nos assuntos do cotidiano, ou nas composições murais.

     A República foi marcada culturalmente por uma forte oposição a qualquer resquício do Império, pois no Império, o Brasil deixa de ser colônia, passa a Reino Unido e precisa se desenvolver. E com a Missão Francesa, as artes vão se formar através do olhar estrangeiro, não é mais a terra nas suas particularidades, mas a terra europeizada. Entretanto, com a República foi possível um rompimento gradual com o padrão da arte convencional feita para documentar e ilustrar os acontecimentos da Corte, surgindo assim os primeiros sinais para o movimento da Semana de Arte Moderna de 1922, que introduziu o modernismo no Brasil.

     

  • As Artes Plásticas no Brasil

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    Arte dos séculos XVIII e XIX – A arte brasileira começa de fato com o barroco, que se desenvolve especialmente em Minas Gerais no século XVIII. A arquitetura e a escultura sacra são as principais produções. No começo do século XIX, com a chegada ao país da missão artística francesa, contratada por dom João VI para instituir o ensino oficial de artes no Brasil, tem início o neoclassicismo, movimento que propõe o retorno aos ideais clássicos. No país, a tendência torna-se mais visível na arquitetura. Seu expoente é Grandjean de Montigny (1776-1850), que adapta a estética neoclássica ao clima tropical. Na pintura, a composição e o desenho seguem os padrões neoclássicos de sobriedade e equilíbrio, mas o colorido reflete a dramaticidade romântica. Um exemplo é Flagelação de Cristo, de Vítor Meirelles (1832-1903).

     De 1850 a 1920 predominam as manifestações artísticas centradas na Academia Imperial de Belas-Artes, fundada em 1826. A academia transmite as principais tendências da arte européia nesse período, como o romantismo, o realismo, o naturalismo e o simbolismo. Traços do naturalismo são incorporados pelos paisagistas do chamado Grupo Grimm, liderado pelo alemão George Grimm (1846-1887), professor da Academia Imperial de Belas-Artes. Entre seus alunos destaca-se Antônio Parreiras (1860-1945). Outro naturalista importante é João Batista da Costa (1865-1926), que tenta captar com objetividade a luz e as cores da paisagem brasileira. O simbolismo marca sua influência em algumas pinturas de Eliseu Visconti (1866-1944) e Lucílio de Albuquerque (1877-1939). Também é muito marcante nas obras de caráter onírico de Alvim Correa (1876-1910) e Helios Seelinger (1878-1965).

     Arte Moderna – Somente na década de 20, com o modernismo e a realização da Semana de Arte Moderna de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo, o Brasil elimina o descompasso em relação à produção artística internacional. Ao mesmo tempo que é inspirado em diversas estéticas da vanguarda européia do século XX, como impressionismo, expressionismo, fauvismo, cubismo, futurismo, dadá e surrealismo, o movimento defende uma arte vinculada à realidade brasileira. Os artistas conquistam maior liberdade técnica e expressiva, rejeitando a arte do século XIX e as regras das academias de arte. A partir dos anos 30, alguns modernistas começam a valorizar o primitivismo. Após a II Guerra Mundial, o modernismo perde força com a chegada da abstração ao país. As obras abandonam o compromisso de representar a realidade aparente e não reproduzem figuras nem retratam temas. O que importa são as formas e cores da composição. Entre os principais representantes dessa tendência estão Iberê Camargo (1914-1994), Cícero Dias (1908-), Manabu Mabe (1924-1997), Yolanda Mohályi (1909-1978) e Tomie Ohtake (1913-).

     Em 1951 é criada a Bienal Internacional de São Paulo, que proporciona à produção brasileira reconhecimento internacional e sintoniza definitivamente o país com a tendência mundial de internacionalização da arte.

     Arte Contemporânea – Os marcos iniciais da arte contemporânea no país são o concretismo, o neoconcretismo e a pop art, que, a partir do final da década de 50, despontam no cenário nacional. Em comum, a pop art e o concretismo têm a preocupação de refletir sobre a cultura de massa. A pop art legitima a citação, ou seja, o uso de imagens já produzidas por outros artistas ou pela própria indústria cultural. Os principais nomes são Wesley Duke Lee (1931-), Rubens Gerchman (1942-), autor da serigrafia Lindonéia, a Gioconda do Subúrbio, e Cláudio Tozzi (1944-), de O Bandido da Luz Vermelha.

     Com o neoconcretismo, os artistas partem da pintura para as instalações, gênero que mistura pintura, escultura e objetos industrializados em ambientes preparados para estimular a percepção sensorial. A arte conceitual, que utiliza fotos, textos, objetos e vídeos, marca as obras de Cildo Meireles (1948-), Waltércio Caldas (1946-) e Regina Silveira (1939-). Variante do minimalismo, o pós-minimalismo, também chamado de arte povera (arte pobre), influencia vários artistas. As obras são produzidas com materiais naturais, como água e terra, ou pouco industrializados, do tipo barbante e corda.

     A partir dos anos 80, muitos se aproximam da transvanguarda, que revaloriza a pintura e a escultura e recupera linguagens e elementos do passado. Destacam-se três artistas, especialmente no início da carreira: Leda Catunda (1961-), José Leonilson (1957-1993) e Daniel Senise (1955-). Eles ganham projeção internacional ao trabalhar com imagens de várias procedências. Leda Catunda, por exemplo, pinta partes de um tecido já estampado. Leonilson combina desenhos inspirados em quadrinhos e figuras que imaginou.

     Após uma aparente efervescência no final dos anos 80, o mercado de arte no país volta à crise. No campo da produção percebe-se o amadurecimento da obra de artistas surgidos nos anos 70, como os escultores Cildo Meireles, Ivens Machado (1942-) e Tunga (1952-). Por outro lado, alguns artistas inovam com tecnologias até então não consideradas artísticas, como as fotografias de Rosangela Rennó (1962-) e Mário Cravo Neto (1947-) e a videoarte de Rafael França e Diana Domingues. Esta última mescla tecnologia com elementos da sociedade pré-industrial, aliados a objetos pessoais. Por exemplo, televisões, células fotoelétricas e uma pele de carneiro são colocadas junto de fotos de família.

     No final dos anos 80 e início dos 90, muitos artistas adotam a instalação. Destacam-se nomes como Nuno Ramos (1960-) e Jac Leirner (1961-), que ganha projeção internacional dispondo objetos da sociedade de consumo em série. Outros artistas mostram novas possibilidades de explorar linguagens tradicionais, como os pintores Paulo Pasta (1959-) e Beatriz Milhazes (1960-) e os gravadores Laurita Salles e Cláudio Mubarac. Surgem ainda outros talentos, como Paulo Monteiro (1961-), Ernesto Neto e Adriana Varejão.

     

  • Beniamino Parlagreco

    1856 - 1902

     Estudou em Nápoles orientado por Morelli e Palizzi. Em 1895 chegou ao Brasil, fixando residência no Rio de Janeiro.

     Realizou pintura de gênero, paisagem, marinha e retratos. Participou das exposições gerais da Academia Imperial (de 1897 a 1901, com medalha de ouro de terceira classe em 1898). Em 1896 expôs com sucesso no Rio de Janeiro, posteriormente em Petrópolis e São Paulo.

     

     Morreu vítima da febre amarela. No Museu Nacional de Belas Artes, trabalhos seus integraram as mostras I Exposição de Auto-Retratos (1944) e Exposição Retrospectiva da Pintura no Brasil (1948).

     Integra os acervos do Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e da Pinacoteca do Estado de São Paulo. 

  • Estêvão Roberto da Silva

    1845 - 1891

    Pintor e professor, Estêvão Roberto da Silva matricula-se na Academia Imperial de Belas Artes, onde torna-se discípulo de Vítor Meirelles, Agostinho da Motta e Jules le Chevrel, em 1864. Por volta de 1880, torna-se professor no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro.

    Entre as exposições de que participa, destacam-se: Exposição Geral de Belas Artes, Rio de Janeiro, várias edições entre 1876 e 1890 (premiado em 1879/1884/1890); Exposição da Sociedade Propagadora das Belas Artes, na Sociedade Propagadora de Belas Artes, Rio de Janeiro, 1882.

    Após sua morte, sua obra figura nas mostras: Dezenovevinte: Uma Virada no Século, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, 1986; A Mão Afro-Brasileira, no MAM/SP, 1988; Pintores Negros do Século XIX, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, 1993. 

  • Francisco Aurélio de Figueiredo e Mello

    1856 - 1916

    Escultor, desenhista, caricaturista. Francisco Aurélio de Figueiredo e Mello (Areia PB 1854 - Rio de Janeiro RJ 1916) estuda na Academia Imperial de Belas Artes, Aiba, no Rio de Janeiro, sob a orientação de seu irmão, o pintor Pedro Américo, e de Julio Le Chevrel.

     

     Em 1871, publica suas primeiras caricaturas no Rio de Janeiro, em A Comédia Social. Colabora como caricaturista na Semana Ilustrada, 1873 e 1875. Entre 1876 e 1878, reside em Florença (Itália) e trabalha no ateliê do irmão, estudando com Antonio Ciseri, Nicola Borabino e Stefano Ossi, pintores de história, gênero e retrato. Entre 1878 e 1879, colabora com o periódico Diabo a Quatro, em Recife. Vence um concurso instituído pela Folha Nova de São Paulo com o romance Missionário. Recebe o título de Cavaleiro da Ordem da Rosa, no Rio de Janeiro, em 1884. Expõe individualmente no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, em 1912.

     Entre as mostras das quais participa, destacam-se Desenho Figurado, na Aiba, Rio de Janeiro, 1871; Exposição Geral de Belas Artes, Rio de Janeiro, 1884; Retrospectiva, no Museu Nacional de Belas Artes, MNBA, Rio de Janeiro, 1956; Retrospectiva da Pintura no Brasil, no MNBA, 1948; Um Século de Pintura Brasileira, no MNBA, 1952; Bienal Internacional de São Paulo - Sala de Paisagem Brasileira até 1900, São Paulo, 1953; Dezenovevinte - Uma Virada do Século, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, Pesp, 1986. 

  • Giovanni Battista Castagneto

    1851 - 1900

    Nasceu em Gênova, Itália, chegando ao Rio de Janeiro em outubro de 1874, a bordo do navio francês La France, e ingressando, quatro anos depois, na Academia Imperial das Belas Artes. Em fevereiro de 1882 é admitido como professor de Desenho de Figuras no curso profissional do Liceu de Artes e Ofícios. Já no ano seguinte colaborou, como assistente do professor João Zeferino da Costa, na realização das pinturas para a igreja da Candelária. Participou da célebre Exposição Geral de Belas Artes de 1884, recebendo primeira medalha de ouro, mesma distinção que havia sido concedida na premiação ao seu mestre Johann Georg Grimm.

     

     O ano de 1886, quando expôs na Casa Vieitas, foi marcado pelo início da grande popularidade que a obra do artista desfrutou. Em 1887 deixou de lecionar no Liceu de Artes e Ofícios e expôs na Glace Élégante, já se observando significativa evolução formal em sua pintura, melhor caracterizada a partir do ano seguinte e muito radicalizada nos anos posteriores à viagem que faria à França.

     

     Em 1890 expôs na redação do jornal O Farol, em Juiz de Fora, embarcando em novembro, pelo paquete francês Brésil, para a Europa. Recebeu orientação de François Nardi e Frédéric Montenard, fixando-se principalmente na cidade portuária de Toulon. Ao retornar ao Brasil, participou da Exposição Geral de Belas Artes em 1894 e lecionou no Liceu de Artes e Ofícios do Grêmio Literário Guarani, em Niterói.

     

     Residindo durante seis meses na ilha de Paquetá, a obra do artista atingiu o ponto mais elevado nos anos de 1897 e 1898. De temperamento rebelde, quase anti-social, sua vida boêmia e carente de recursos materiais, associada à uma constituição física muito frágil, conduziu-o a sucessivos períodos de doença e à embriaguez contumaz dos últimos anos de vida. Faleceu na casa de saúde Ferreira Leal, em Botafogo, no Rio de Janeiro. 

  • Henrique Bernardelli

    1857 - 1936

     Chileno nascido em 1858, Henrique Bernadelli mudou-se ainda criança para o Brasil, em 1865, quando seus pais, um violinista e uma bailarina, foram contratados pelo Imperador Dom Pedro II para serem preceptores das princesas imperiais.

     Em 1870 matriculou-se na Academia Imperial de Belas Artes, onde foi aluno de Victor Meirelles, Zeferino da Costa e Agostinho da Motta, entre outros. Seguindo seu irmão, Rodolfo Bernadelli, Henrique terminou brilhantemente seu curso na Academia e mudou-se para Roma, onde durante os anos de 1878 a 1886 estudou pintura.

     

     Esta estada foi, definitivamente, a maior influência em sua obra futura, que se diferenciou gritantemente da realizada por outros artistas brasileiros na época. Estes estavam influenciados pelas vertentes parisienses, enquanto Bernadelli desenvolveu em Roma um estilo mais ousado, sem sentimentalismos ou divagações filosóficas.

     De volta ao Brasil em 1886, Bernadelli fez-se notar através de uma exposição no Rio de Janeiro, em que expôs obras trazidas de Roma, como Mater e A Messalina. Ambas acompanham uma tendência natural do artista a acentuar a naturalidade das coisas, o que estaria presente em suas outras obras.

     

     

    Enquadrado dentro de um realismo quase que teatral, Bernadelli foi um elemento renovador da pintura brasileira da época, altamente influenciada pelas escolas francesas. Mesmo com um estilo original e ousado, o artista manteve-se fiel a pintura acadêmica, embora tenha tido romances com a pintura impressionista.

     Henrique Bernadelli lecionou pintura na Academia entre os anos de 1891 e 1905, e mais tarde dedicou-se ao ensino particular em sua residência. Entre seus alunos estiveram Lucílio de Albuquerque, Georgina de Albuquerque, Eugênio Latour, Hélios Seelinger e Arthur Timótheo da Costa. Faleceu no ano de 1936, no Rio de Janeiro. 

  • José Ferraz de Almeida Júnior

    1850 - 1899

    José Ferraz de Almeida Júnior (Itu SP 1850 - Piracicaba SP 1899) ingressa na Academia Imperial de Belas Artes, em 1869, onde tem aulas de desenho com Jules Le Chevrel e de pintura com Victor Meirelles.

     

     Conclui estudos em 1874, não concorre ao prêmio viagem e retorna a Itu, sua cidade natal. Abre ateliê em 1875 e atua como retratista e professor de desenho. Em visita à cidade, D. Pedro II impressiona-se com seu trabalho e concede-lhe uma bolsa de estudo para a Europa. Matricula-se na École National Supérieure des Beaux-Arts de Paris, França, entre 1876 e 1882, tornando-se aluno de Alexandre Cabanel.

     

     Regressa para o Brasil em 1882 e expõe na Aiba as obras produzidas em Paris. Em 1883 instala ateliê em São Paulo. No ano de 1885, o pintor é agraciado com o título de Cavaleiro da Ordem da Rosa pelo governo imperial. Em 1886, Victor Meirelles o convida para ocupar sua vaga na Academia como professor de pintura histórica, mas ele prefere permanecer em São Paulo.

     Entre seus alunos, destaca-se Pedro Alexandrino. 

  • Victor Meirelles

    1832 - 1903

    Pintor e professor, Victor Meirelles nasceu em Florianópolis, Santa Catarina, tendo ingressado na Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro, em 1847.

     

     Em 1852, conquista o prêmio de viagem à Europa, fixando-se na Itália. Como pensionista do Governo brasileiro, remete grande quantidade de trabalhos originais e cópias à Academia Imperial de Belas Artes. Ainda na Europa, executa "A Primeira Missa no Brasil", hoje pertencente ao acervo do Museu Nacional de Belas Artes, que participou do Salão de Paris em 1861. De volta ao Brasil, é condecorado com a Ordem Imperial da Rosa e nomeado professor honorário da Academia Imperial. Em 1862 assume a cátedra de Pintura Histórica, cargo que exerceu até 1890.

     

     Além do "Combate Naval do Riachuelo" , Vitor Meireles produziu obras históricas importantes, como "A Passagem do Humaitá", também pertencente ao acervo do Museu Histórico Nacional que após restauração pela equipe do Laboratório de Conservação e Restauração está hoje em exposição permanente. A tela retrata outro episódio da Guerra do Paraguai. Também significativas são as obras "A Batalha dos Guararapes" e o "Juramento da Princesa Isabel".