Vermelho

Celina de CastroCelina de Castro

A pedra do meu novo anel,

orgulhoso da canhota que o ostenta.

A blusa de pontos e nós que minha mãe

vem tecendo,

o tomate pintado a mangericão

da pizza das oito.

A lancha da marinha que vai atrás dos navios.

Vermelhos eram os lençóis do meu sonho macio,

e o sangue rápido

que mexe as veias

e as torna azuladas.

O tom exato do desejo

e os gemidos agudos escorrendo lençóis.

O fogo que se enrosca nas achas

e as devora, insaciável,

e que depois de consumi-las

arde em brasa luzente.

 


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